Brasília — Os Estados Unidos têm avançado em entendimentos comerciais com grandes blocos econômicos e países estratégicos do leste asiático. Neste domingo (27), o ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou um novo acordo com a União Europeia, prevendo investimentos bilionários e redução de tarifas, somando-se a entendimentos anteriores com Japão e China.
Segundo Trump, a União Europeia concordou em adquirir US$ 750 bilhões em energia dos Estados Unidos, além de investir outros US$ 600 bilhões na economia norte-americana. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a parceria, afirmando que o objetivo é “reequilibrar e permitir o comércio de ambos os lados”.
No leste asiático, o Japão também estabeleceu um acordo com os EUA, prevendo investimentos de US$ 550 bilhões em território norte-americano. Como contrapartida, os Estados Unidos reduziram as tarifas de importação sobre produtos japoneses de 25% para 15%.
A China, por sua vez, também avançou em negociações comerciais com Washington, embora os detalhes ainda estejam sendo definidos.
Brasil fora da rodada de negociações
Enquanto isso, o Brasil permanece à margem desses novos acordos internacionais. De acordo com informações do próprio governo federal, o país não foi convidado a participar das negociações com os EUA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a comentar publicamente que o vice-presidente Geraldo Alckmin, responsável por liderar as tratativas comerciais, não foi recebido por autoridades norte-americanas.
A postura do governo brasileiro tem sido vista com reservas no cenário internacional. O ex-presidente Trump impôs ao Brasil uma tarifa de 50% sobre determinados produtos — a mais elevada aplicada pelos Estados Unidos até o momento. Além de questões econômicas, Trump também citou preocupações com o ambiente político brasileiro, como a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e medidas judiciais do Supremo Tribunal Federal que, segundo ele, restringiriam a liberdade de expressão.
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, confirmou que as novas tarifas ao Brasil entrarão em vigor a partir do dia 1º do próximo mês, sem exceções previstas até o momento.
Reflexão para os tempos atuais
Diante de um cenário internacional cada vez mais interligado, os acordos comerciais ganham importância estratégica para o desenvolvimento das nações. A ausência do Brasil nessas negociações ressalta a necessidade de diplomacia ativa, diálogo construtivo e estabilidade institucional, valores fundamentais para o crescimento econômico e para o fortalecimento da posição do país no cenário global.