VOCÊ CONHECE A HISTÓRIA DA CGADB?

No mês de julho de 1988, o Mensageiro da Paz trouxe aos seus leitores uma entrevista exclusiva com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da AD Ministério de Belenzinho/SP e, após o falecimento do pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos, presidente da CGADB, no dia 12 de maio do mesmo ano.

José Wellington foi entrevistado em seu escritório no Belenzinho pelo jornalista e pastor Geremias Couto. No texto de abertura da matéria destacou-se as “considerações [do pastor Wellington] da maior atualidade, que devem ser, também, motivo de reflexão para as demais lideranças de nossa igreja”.

Nessa postagem selecionou-se alguns pontos interessantes para se refletir sobre a história e os rumos que as ADs tomaram nessas últimas décadas. Na época da entrevista, o líder do Belenzinho contava com 53 anos de idade e estava apenas há oito anos na presidência do ministério paulista.

Pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos – “Tínhamos no pastor Alcebíades aquela coluna de sustento das Assembleias de Deus no Brasil e a sua morte se constituiu numa perda irreparável… Estou orando para que Deus me ilumine e, sobretudo, me ajude no desempenho dessa tarefa tão pesada para qualquer pastor da nossa igreja”.

O historiador não trabalha com previsões e é difícil dizer o que aconteceria se o pastor Alcebíades continuasse a conduzir a CGADB. Em sua biografia, o pastor Costa relembra que Vasconcelos “colidiu fortemente com Madureira” e os desentendimentos com o pastor Manoel Ferreira foram tais que os dois “romperam as relações”. Contudo, o bispo Manoel Ferreira em suas memórias observou: “Eu tenho certeza de que, se o Alcebíades estivesse vivo, talvez hoje nós estaríamos ainda na CGADB…”.

A história da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB dá-se no ano de 1930. Após três décadas do surgimento no país das Assembleias de Deus, devido ao estupendo crescimento do movimento pentecostal iniciado pelos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, os pastores das Assembleias de Deus resolveram que já era tempo de se criar uma organização que estabeleceria o espaço para discussão de temas de máxima relevância para o crescimento da denominação.

Problemas na CGADB – “Eu venho participando da Mesa Diretora já em outras gestões e conheço de perto os problemas existentes da nossa Convenção Geral. É verdade que assumi numa época de maior turbulência… Quero reafirmar que chego com o coração aberto, sem trazer comigo nenhum propósito contra ninguém…”.

Realmente era um momento complexo. As disputas entre os Ministérios da Missão e de Madureira estavam em seu auge. A eleição da Mesa Diretora da CGADB em Salvador em 1987, foi um dos capítulos mais conturbados da história das ADs, refletindo as tensões de anos anteriores. Nos meses seguintes, as questões só se agravaram e Wellington teria que negociar com Manoel Ferreira soluções para os impasses.

O que não se previa naquele momento era a perpetuação do pastor de Belenzinho no poder. Até ali, sempre houve alternância na presidência da CGADB, mas José Wellington conseguiu a proeza inédita de permanecer por três décadas no comando da instituição. Já se passaram oito Copas do Mundo de Futebol, três papas, oito presidentes do Brasil e o cearense de São Luís do Curu não “largou o osso”.

Unidade – Geremias perguntou ao presidente da CGADB se era possível caminhar para a unidade. Wellington, naquele momento, expressou crer poder contar com a amizade de pastores de todo o Brasil. “Eu tenho procurado ser amigo de todos esses pastores, movido por um sentimento de sinceridade. Agora, espero da parte deles total compreensão, porque eu não olho a igreja no Brasil separada”.

A história é conhecida: o Ministério de Madureira foi suspenso da CGADB em 1989. Posteriormente, veio a saída das ADs em São Cristóvão, Santos e a criação de uma nova dissidência, a Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB), a qual reúne outras igrejas históricas das ADs em Belém, Manaus e Macapá.

Por outro lado, a gestão José Wellington salvou a CPAD da falência. Seguindo em direção contrária as suas congêneres, a editora assembleiana avançou em qualidade, vendas e presença em todo território nacional e no exterior. Para muitos, as principais tensões tem como um dos motivos principais o controle da Casa Publicadora. Malafaia que o diga…

Política e igreja – Perguntado sobre a participação do crente na vida pública, Wellington foi direto: “A igreja e a política são como água e óleo: não se misturam”. Na continuação, porém, destacou a legitimidade dos crentes como cidadãos participarem da vida pública do país e influenciá-la “sem, contudo, misturar a igreja como instituição e a política partidária”.

Não é preciso ser especialista para saber que essa visão mudou drasticamente. O antigo pudor das lideranças assembleianas nas questões políticas seria abandonado em breve. Hoje, Belenzinho, Madureira, Abreu e Lima, Santos e muitos outros ministérios jogam seu peso institucional para eleger candidatos vinculados à igreja. No caso do Belenzinho os eleitos são filhos do pastor Costa.

Em sua primeira entrevista como presidente da Convenção Geral, o pastor José W. Bezerra da Costa aconselhou para que as ADs continuassem em “marcha vitoriosa para o céu” e que não se envolvesse com o mundo e o que nele há. “Sigamos, pois, em frente, com passos firmes e céleres, pois Jesus está perto de voltar” – exortou.

Fontes:

ARAÚJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ARAÚJO, Isael de. José Wellington – Biografia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

DANIEL, Silas, História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Os principais líderes, debates e resoluções do órgão que moldou a face do movimento pentecostal brasileiro, Rio de janeiro: CPAD, 2004.

FAJARDO, Maxwell Pinheiro, “Onde a luta se travar”: a expansão das Assembleias de Deus no Brasil urbano (1946-1980), (Tese de Doutorado em História) Assis-SP: UNESP, 2015.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.

Mensageiro da Paz, julho de 1988, ano LVIII, nº 1219, CPAD:R

A CGADB foi idealizada pelos pastores nacionais, visto que a igreja estava na responsabilidade dos missionários suecos e deram os primeiros passos em reunião preliminar realizada na cidade de Natal-RN em 17 e 18 de fevereiro do ano de 1929. A primeira Assembléia Geral da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil foi realizada entre os dias 5 e 10 de setembro, onde se reuniram a maioria dos pastores nacionais e os missionários que atuavam no país. Foi nessa Assembléia Convencional que os missionários suecos transferiram a liderança das Assembleias de Deus no Brasil para os pastores brasileiros. Nesta mesma reunião que liderança nacional decidiu-se por se criar um veículo de divulgação do evangelho e também dos trabalhos então realizados pelas Assembleias de Deus em todo o território nacional. Estava lançada a semente do que viria a ser o atual jornal Mensageiro da Paz. Com a rápida repercussão nacional, o periódico, então dirigido pelo missionário Gunnar Vingren, tornou-se o órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil.

As primeiras resoluções emanadas em Assembleias Convencionais de pastores das Assembleias de Deus, foram emitidas nas Assembleias Gerais dos anos de 1933 a 1938. Nessas Assembleias Gerais deram-se longos debates sobre as características e identidade da igreja, o que hoje são por nós conhecidas como “usos e costumes”. As primeiras resoluções também tratavam acerca de alguns pontos doutrinários, principalmente no que se referia a conduta dos obreiros e que deveriam caracterizar a igreja sendo adotados por todas as Assembleias de Deus no Brasil. A igreja experimentava um extraordinário crescimento e chegava aos mais longínquos recantos do país. Entre os anos de 1938 e 1945, quando deu-se os rumores e finalmente o transcorrer da 2ª Grande Guerra Mundial, os lideres das Assembleias de Deus tinham enormes dificuldades de se locomoverem pelo país, e por causa desse fator não foram realizadas nenhuma assembléia convencional dos anos de 1939 e 1945.

Finalmente em 1946, em Assembléia Geral Ordinária realizada na cidade de Recife-PE os pastores das Assembleias de Deus de todo o país decidiram-se por tornar a CGADB em uma pessoa jurídica, com a responsabilidade de representar a igreja perante as autoridades governamentais, bem como a todos os segmentos da sociedade. O primeiro Estatuto apresentou como principais objetivos da CGADB: “promover a união e incentivar o progresso moral e espiritual das Assembleias de Deus; manter e propugnar o desenvolvimento da Casa Publicadora das Assembleias de Deus” e principalmente a aproximação das Assembléia de Deus no país: “Nenhuma Assembléia de Deus poderá viver isoladamente, sendo obrigatória a interligação das Assembleias de Deus no Brasil, com a finalidade de determinar a responsabilidade perante a Convenção Geral e perante as autoridades constituídas”. As Assembleias Gerais realizadas nas décadas seguintes foram marcadas por discussões e debates sobre temas relacionados as doutrinas bíblicas básicas e por projetos de desenvolvimento da Obra de Deus.
Em 1989, a CGADB promoveu uma Assembléia Geral Extraordinária na cidade de Salvador-BA, quando foi decidido pelo desligamento dos pastores do Ministério de Madureira, por força de dispositivo estatutário que impede ao ministro pertencer a mais de uma convenção nacional. Os ministros do Ministério de Madureira optaram por manter a existência da então recém criada Convenção Nacional de Ministros da AD de Madureira (CONAMAD), abrindo com isso uma dissidência na igreja.

Os anos 90 marcam uma nova fase de crescimento das Assembleias de Deus no Brasil. Em maior parte, os resultados apresentados nesse novo período de crescimento dão-se, claramente, decorrente de medidas tomadas pela CGADB durante essa década. Sob a liderança do Pr. José Wellington Bezerra da Costa, a principal decisão foi a implantação do projeto Década da Colheita, um esforço evangelístico que envolveu praticamente toda a igreja no Brasil. O censo do IBGE de 2000 mostrou, em comparação com último censo de 1991, o quando a AD cresceu nos últimos dez anos do século 20.

Assombrada pelo vultuoso crescimento da igreja e pela necessidade de um espaço mais adequado para o desenvolvimento de suas atividades, a CGADB inaugurou no dia 26 de novembro de 1996, sua nova sede, no bairro da Vila da Penha, cidade do Rio de Janeiro – RJ, em um moderno edifício de 4 andares, onde disponibilizados salas administrativas e um auditório com capacidade para 700 pessoas, além de anexo onde está instalada a EMAD – Escola de Missões das Assembleias de Deus e uma ampla loja da CPAD – Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

Neste início de século 21, a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil continua implantando um projeto de desenvolvimento de sua participação mais ativa na sociedade do nosso querido país. Criou-se o Conselho Político da CGADB que tem por finalidade coordenar o projeto “Cidadania AD Brasil”, que desenvolve a consciência política na liderança das Assembleias de Deus no Brasil e gerencia o lançamento de candidatos oficiais da denominação nos pleitos eleitorais em todo Brasil. Hoje as Assembleias de Deus contam com 22 deputados federais, 38 deputados estaduais e 1.010 vereadores. Na área cultural, a CGADB inova com o ambicioso projeto de implantação da Faculdade Evangélica de Ciências, Tecnologia e Biotecnologia da CGADB – FAECAD, ofercendo a princípio quatro curso: administração de empresas, comércio exterior, direito e teologia. A FAECAD já obteve o reconhecimento do MEC e as atividades da mesma começaram no mês de agosto de 2005.

Os frutos de um trabalho volumoso que vem sendo empreendido na liderança do Pr. José Wellington Bezerra da Costa, juntamente com a Mesa Diretora, continuam a serem colhidos pela Convenção Geral e face as comemorações dos 75 anos de existência de nossa querida CGADB, temos no Senhor Jesus, o galardoador fiel, nossa gratidão. E a cada dia que olhamos para o gigantesco trabalho que tem se tornado a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, devemos louvar ao Senhor, rendendo-lhe a mais tenra adoração e gratidão, e ainda sim, pedir graça ao bom Deus no intuito de continuar iluminando nossa liderança maior, a fim de que esta obra faça avançar o Reino de Deus na Terra. Diz a Palavra de Deus: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças.” Ec 9.10.

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